"Ninguém educa ninguém. ninguem educa
a si mesmo, os homens se educam entre si,
mediatizadas pelo mundo."
Paulo Freire

02/02/2021 08:25 - Defender a vacina e a ciência, para a preservação da vida

Nos momentos mais difíceis da existência enquanto sociedade, como guerras, revoluções e pandemias, a ação ou omissão humana estiveram presentes, porque fazemos escolhas e deixamos para a posteridade “provas” do nosso fazer, dos papéis diferenciados que exercemos num determinado contexto.
Em razão das inovações tecnológicas, as possibilidades de registrar os feitos humanos são maiores, inclusive em tempo real. Um exemplo recente que merece destaque foi um evento que aconteceu no Palácio Popular da Cultura, reunindo autoridades dos três poderes e bem provável a elite econômica sul mato-grossense, na posse do novo presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Carlos Eduardo Contar.
Em tempos “normais” constaria no rol de mais um evento político e social da cidade, sem maiores repercussões na vida cotidiana das pessoas comuns mas não estamos em tempos “normais”, e sim numa encruzilhada histórica, numa pandemia que vitimou milhões de pessoas no mundo e o Brasil é um desastre global no tocante ao enfrentamento a maior crise sanitária do período recente.
Do que aconteceu no referido evento e que está registrado para a posteridade e é revelador do papel que a autoridade máxima do poder judiciário dessa porção do Brasil, se dispõe a cumprir num momento de crise em várias dimensões:
Da defesa do obscurantismo e não das evidências científicas; da negação da realidade e não da compaixão com os semelhantes; da valorização de fake News e não reconhecer os profissionais da saúde e o SUS; da perspectiva de amordaçar a imprensa e não pela liberdade de informar; do tratamento precoce contra a covid-19 e não da reafirmação da vacina enquanto meio seguro e eficaz; da aglomeração total e não do isolamento social.
São mais de 200 mil mortes no Brasil, uma hecatombe social e econômica, uma barbaridade e crime de lesa humanidade, tipo campo de “concentração Auschwitz”, ofensa trágica aos direitos humanos, resultado em grande medida das decisões políticas governamentais, sobretudo em âmbito federal, que efetivou uma política de estado negacionista e genocida, referente a pandemia e no seu enfrentamento ao boicotar as medidas de biossegurança recomendadas pela Organização Mundial da Saúde.
A liberdade de opinião é uma conquista civilizatória, todos e todas tem o direito a se expressar, daquela pessoa mais simples que não teve acesso a escola, que não sabe o significado da expressão Constituição, por exemplo, que alguns juram defender, até a pessoa dotada de bens materiais e oportunidade profissionais, alçando postos chaves na estrutura de poder na sociedade de classe.   
O “salve-se quem puder” tem prevalecido, mas quando uma autoridade máxima da justiça, num discurso de posse expressa cumplicidade da barbárie em curso, é indicativo que o abismo pode não ter fim, e   ficará registrado na história. O que nos proporciona um pouco de esperança é que nem todos os membros do judiciário compactuam com um pensamento negacionista e tão desconectado da realidade da maioria do povo brasileiro e do que tem sido apresentado pela ciência e seus pesquisadores e pesquisadoras. 
 Nos cabe resistir, defender a vacina para todos e todas, a ciência e seus profissionais, servidores públicos e o Sistema Único de Saúde (SUS). Estamos do lado certo da história, gerações futuras vão se orgulhar das escolhas que fizemos hoje, no contexto de luta desigual pela sobrevivência no contexto da pandemia. 
(Prof. Me. Francisco G. Santos, da rede pública de ensino)

Prof. Me. Francisco G. Santos, da rede pública de ensino