"Ninguém educa ninguém. ninguem educa
a si mesmo, os homens se educam entre si,
mediatizadas pelo mundo."
Paulo Freire

25/08/2020 18:43 - Em tempos de pandemia, cuidar da saúde é fundamental - Síndrome de Bournout

Em 2019, a Síndrome de Bournout ou Síndrome do esgotamento profissional, como também é conhecida, passou a ser incluída na lista de classificação de Doenças da Organização Mundial de Saúde (OMS) que entrará em vigor em 2022.  

A Síndrome de Bournout é classificada como “resultante de estresse crônico no local de trabalho que não foi gerenciado com sucesso”, a síndrome, não foi categorizada como doença, mas, como um distúrbio ocupacional que afeta a saúde. 

No Brasil, a estimativa é que 30% dos trabalhadores (as) sofrem da Síndrome de Bournout (segundo a International Stress Management Association – ISMA-BR). 

Quem sofre desse distúrbio pode ter sintomas como: cansaço excessivo físico e mental, dor de cabeça constante, insônia, dificuldades de concentração, sentimentos de fracasso e insegurança, negatividade frequente, sensação de derrota, desesperança e incompetência, alterações repentinas de humor, fadiga, dores musculares, alteração nos batimentos cardíacos, entre outros sintomas.

A pesquisa e o livro Educação: carinho e trabalho , da CNTE e do professor Wanderley Codo, em 2006, já mostrou que Síndrome de Bournout afetava profundamente a vida cotidiana, a saúde mental e as condições de trabalho, entre os trabalhadores (as) em educação no Brasil: professores, funcionários e especialistas em educação da rede pública estadual e, apontou grande incidência de sintomas exaustão emocional, despersonalização e falta de envolvimento pessoal no trabalho.

No atual cenário de pandemia, isolamento social, atendimento escolar (presencial para muitos), aulas não presenciais, cuidados domésticos, etc, afetam a vida, as relações sociais e familiares e o trabalho e trazem várias preocupações, como o medo de pegar o vírus, a preocupação com saúde pessoal e da família, o receio de perder o trabalho e a renda (muitas vezes), o receio no atendimento ao público (no caso dos administrativos da educação e de muitos professores), o uso das tecnologias que não dominamos, a ansiedade com o resultado da aprendizagem, dentre outros fatores, podem sobrecarregar e aumentar o estresse, a exaustão, o esgotamento e os sentimentos de angústia, canseira, desânimo, prostração e até a depressão. 

Longe de mim, ter receitas, mas, penso que, neste momento de pandemia, isolamento social e aulas remotas, nós trabalhadores (as) em educação devemos ficar atentos e não descuidar da saúde, ir ao médico de rotina, acompanhar doenças pré-existentes, ficar aos sintomas da Síndrome de Bournout e procurar acompanhamento, se achar necessário. 

Vamos cuidar da nossa saúde física e mental e cuidar dos nossos! 


Referências 
Revista da CASSEMS, nº 35/2020 - Síndrome de Bournout, pgs 22 a 25. 
Livro Educação: carinho e trabalho,  UNB, CNTE e professor Wanderley Codo.

Sueli Veiga - Vice-Presidenta da FETEMS