O Capitalismo, seus ciclos e o golpe

A crise que envolve o conjunto do sistema capitalista e, especialmente os países centrais, é devastadora, profunda e de longa duração. Ela reflete um conjunto de contradições que o capitalismo vem acumulando desde a segunda metade da década de 60 e que agora se expressam com rudeza explícita em toda a vida social contemporânea das nações que fazem parte do processo de acumulação mundial.

Esta é uma crise do conjunto do capitalismo. Além disso, essa ela não é administrável com os instrumentos clássicos de política monetária ou intervenções tópicas para recuperar a credibilidade do sistema. Ela vai seguir objetivamente seu curso durante alguns anos, independentemente da vontade dos dirigentes dos países centrais, com repercussões em todas as esferas da vida social - na economia, na geopolítica e entre as classes sociais. Ressalte-se ainda que a forma particular como a crise se apresenta atualmente (financeira, imobiliária, etc.) representa apenas a ponta do iceberg de um problema mais de fundo, que é a superacumulação de capitais e a impossibilidade de valorizá-los na esfera da produção.

“Mas a crise também tem suas particularidades, como todas as crises do sistema capitalista, uma vez que cada crise traz consigo um conteúdo novo” (Campos, 2001: 21). Está em questão fecha um longo ciclo de 30 anos da hegemonia do pensamento único e encerra uma forma particular de acumulação, baseada na hegemonia das altas finanças, mecanismo através do qual o grande capital capturava a mais-valia mundial.

É necessário ressaltar ainda que, nos períodos de crise, o grande capital busca se entrincheirar no Estado e nos organismos institucionais, como os Bancos Centrais e organismos de coordenação internacionais, a fim de tentar salvar suas posições e recuperar o que perderam com a crise. Procuram assim jogar todo o ônus da crise na conta dos trabalhadores. Primeiro, tentam vender a ilusão de que na crise cada um deve dar sua contribuição para que todos possam se salvar, mesmo sabendo-se que quem quer se salvar é a burguesia e seu sistema de exploração. Quando este método não funciona, o capital marcha unido contra os trabalhadores buscando ampliar o raio de exploração e retirar-lhes direitos e garantias. Portanto, está conjuntura deverá acirrar as lutas sociais e as disputas entre as classes fundamentais da sociedade: trata-se de um momento especial da luta de classe em caráter mundial, em que a burguesia vai utilizar todos os meios possíveis para sair vitoriosa da crise e o proletariado também deve estruturar seu projeto de sociedade para superar o capitalismo. O aspecto de aparente normalidade desaparece e se torna possível observar a instituição de práticas fascistas, entendidas como rompimento com o Estado de direito burguês.

Portanto não pode ser uma surpresa, pelo menos no meu ponto de vista, a ofensiva patrocinada pelas forças políticas conservadoras em nosso país, que está ameaçando o conjunto das conquistas econômicas, sociais e políticas que foram obtidas ao longo dos últimos anos. Tendo sido derrotadas nas eleições de outubro de 2014, as elites planejam a derrubada do governo da Presidenta Dilma por meio de uma estratégia claramente golpista.

Contando com o apoio descarado de setores retrógrados do Judiciário, do Ministério Público e da maioria das grandes empresas do conglomerado de comunicações, a oposição direitista e irresponsável se aproveita da fragilidade da equipe governamental, da crise do capitalismo, para tentar o tão almejado por eles, o impeachment, indo contra todas as leis e regras institucionais.

Precisamos com urgência unirmos forças para defender o Estado Democrático de Direito, o apoio amplo da população é fundamental e isso não se trata de concordar ou não com a orientação política do governo e sim defender a democracia brasileira que foi conquistada duramente e com muita luta em nosso país. Não podemos deixar que os governos ditatoriais que marcaram profundamente a história política latino-americana, sejam a saída para qualquer tipo de crise, pois os oportunistas de plantão estão de olho, como estavam em 1964.

Espera-se que diante deste cenário o Governo Federal também anuncie medidas que ofereçam alguma perspectiva de superação da crise econômica, da defesa dos direitos trabalhistas e que apontem para a retomada do projeto focado no desenvolvimento com justiça social.

Termino com a simples conclusão: não existe saída que não seja a mobilização popular e é nesta trincheira que eu estarei.

Roberto Botareli - Presidente da FETEMS

VEJA TAMBÉM

MUNICIPAL

Prefeitura prorroga prazo...

Já os alunos novos deverão fazer a pré-matrícula a partir de 1º de dezembro...

NACIONAL

FETEMS participa de ato e...

A FETEMS (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) par...

ESTADUAL

FETEMS é contra o fecham...

FETEMS é contra o fechamento de escolas nos municípios de Mato Grosso do Sul