FETEMS repudia atos de violência nas escolas públicas

A diretoria da FETEMS (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) vem através desta nota pública prestar solidariedade ao diretor da escola estadual Antônio Fernandes de Naviraí – MS, a sua família, amigos e educadores do município, que estão passando por este momento difícil. O educador foi esfaqueado por um aluno pelas costas por chamar a atenção do mesmo que estava usando entorpecentes dentro da unidade escolar.

Enquanto entidade representativa dos trabalhadores em educação de Mato Grosso do Sul, lamentamos o ocorrido e repudiamos qualquer ato de violência nas escolas públicas e reafirmamos a necessidade da implantação de políticas públicas, por parte do poder público, mais eficazes que contenham estas situações e que as mesmas sejam educativas, não apenas punitivas, pois se o ato de um educador chamar a atenção do aluno já causou tal situação, imagina o que pode ser feito se a “Lei Harfouche” for aprovada e os diretores passarem a ter o “poder” de punir os alunos, sem segurança alguma, com certeza a situação se agravará e casos como esse podem aumentar e muito.

Também cobramos a necessidade das escolas públicas terem um programa de segurança voltado para elas, que tenha um cunho educativo e que traga para dentro das unidades escolares a tranquilidade que a comunidade precisa como um todo, desde os trabalhadores aos próprios alunos, pois conhecemos diversas ocorrências da demora policial ao serem chamados e sabemos que isso é reflexo de diversos fatores, desde a falta de infraestrutura da segurança pública a as altas demandas. Nossa defesa é por um policiamento humanizado e capacitado para atender especificamente as escolas, com programas de conscientização e monitoramento.

Acreditamos que a violência escolar tenha vários motivos entre eles os problemas sociais, alunos desmotivados, com uma visão negativa da escola, com falta de responsabilidade social, e tendo punições individuais e políticas educacionais que não levam em consideração as realidades locais dos professores, alunos e pais, também agravam a situação.

A violência é um problema social que está presente nas ações dentro das escolas, e se manifesta de diversas formas entre todos os envolvidos no processo educativo. Isso não deveria acontecer, pois escola é lugar de formação da ética e da cidadania dos sujeitos ali inseridos, sejam eles alunos, professores ou demais funcionários.

Além disso, a violência estampada nas ruas das cidades, a violência doméstica, os latrocínios, os contrabandos, os crimes de colarinho branco têm levado os jovens a perder a credibilidade quanto a viver em uma sociedade justa e igualitária, capaz de promover o desenvolvimento social em iguais condições para todos. O resultado desta situação são reações violentas, conforme o modelo social, dentro e fora da escola.

Defendemos que este tema deve ser levado para dentro da sala de aula, desde as séries inicias, pois esta é uma forma de trabalhar com um assunto controverso e presente no cotidiano das nossas vidas, oportunizando momentos de reflexão que auxiliarão na transformação social.

O poder público deve assumir a sua responsabilidade e dar condições dignas de trabalho aos educadores, pois muitas vezes a escola se torna menos atrativa, por falta de materiais pedagógicos adequadas, de modernização e infraestrutura, além da falta de estimulo profissional, que muitas vezes é causada pela desvalorização da categoria e tudo isto reflete na sala de aula e faz com que os jovens não se sintam atraídos para os estudos e acabem se afastando cada vez mais e se envolvendo em situações como estas.

Sabemos que ainda é possível resgatar a confiança dos nossos alunos, através de uma educação pública de qualidade com projetos eficazes de combate à violência. Essa é a melhor forma de mostrar para as nossas crianças e jovens que é possível vencer os desafios e problemas que a vida apresenta. Esperamos e vamos continuar lutando para que tenhamos um ensino público mais justo, humano e igualitário.

 

Direção da FETEMS

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