{"id":18823,"date":"2023-06-05T12:05:53","date_gmt":"2023-06-05T15:05:53","guid":{"rendered":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/?p=18823"},"modified":"2023-06-05T12:05:54","modified_gmt":"2023-06-05T15:05:54","slug":"maior-parte-das-escolas-ignora-lei-que-obriga-ensino-de-historia-e-cultura-afro-brasileira-e-africana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/maior-parte-das-escolas-ignora-lei-que-obriga-ensino-de-historia-e-cultura-afro-brasileira-e-africana\/","title":{"rendered":"Maior parte das escolas ignora lei que obriga ensino de Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira e Africana"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>\u00a0A cada 10 munic\u00edpios, sete n\u00e3o incluem essa tem\u00e1tica no curr\u00edculo\u00a0<\/strong><br><br>A mais recente s\u00e9rie de ataques racistas ao jogador Vin\u00edcius J\u00fanior, do Real Madrid, durante partida do campeonato espanhol no \u00faltimo dia 21, reacendeu um debate sobre a realidade com a qual convive boa parte das 56,1% pessoas que se declaram negras no Brasil.<br><br>Apenas em S\u00e3o Paulo, os casos de discrimina\u00e7\u00e3o racial registrados pela Secretaria de Justi\u00e7a e Cidadania do estado, no 1\u00ba semestre de 2022, superaram o total dos dois anos anteriores. Nos seis primeiros meses de 2022 foram registradas 265 den\u00fancias, n\u00famero maior do que em 2019 e 2021, com 251 situa\u00e7\u00f5es desse tipo.<br><br>Em mar\u00e7o deste ano,\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2023-03\/pesquisa-86-de-trabalhadoras-negras-relatam-casos-de-racismo\"><strong>uma pesquisa feita pela consultoria Trilhas de Impacto<\/strong><\/a>\u00a0apontou que 86% das mulheres negras j\u00e1 sofreram racismo nas empresas em que trabalham.<br><br>N\u00fameros para comprovar a discrimina\u00e7\u00e3o racial como um dos pilares estruturantes da sociedade brasileira n\u00e3o faltam, mas\u00a0 como combater essa a\u00e7\u00f5es?<br><br>Lideran\u00e7as ouvidas pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores em Educa\u00e7\u00e3o (CNTE) destacam que uma das medidas fundamentais \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o da Lei Federal 10.639, que completa 20 anos em 2023, e obriga o ensino sobre Hist\u00f3ria e Cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas p\u00fablicas e particulares no pa\u00eds.<br><br>Por\u00e9m, uma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/nacional\/sete-em-cada-dez-cidades-ignoram-lei-que-combate-racismo-nas-escolas-diz-pesquisa\/\"><strong>pesquisa dos Institutos Alana e Geled\u00e9s<\/strong><\/a>\u00a0de maio deste ano apontou que 71% das mais de mil secretarias de educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds n\u00e3o possuem qualquer programa ou apenas desenvolvem projetos espor\u00e1dicos sobre o tema.<br><br>A postura, defende a secret\u00e1ria de Combate ao Racismo da Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT), professora e diretora do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de S\u00e3o Paulo (Apeoesp), Anatalina Louren\u00e7o, reflete a tentativa de perpetuar a l\u00f3gica de opress\u00e3o aos negros ne negras na sociedade brasileira.<br><br>\u201cA lei n\u00e3o prop\u00f5e apenas a altera\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo, mas tamb\u00e9m uma mudan\u00e7a conceitual e comportamental. As cidades n\u00e3o aplicam a lei porque n\u00e3o t\u00eam comprometimento em fazer o enfrentamento a esse problema. Se o racismo \u00e9 um sistema ideol\u00f3gico que trabalha na l\u00f3gica de manter a exclus\u00e3o, quem coopera com esse princ\u00edpio tamb\u00e9m vai permanecer no processo de exclus\u00e3o e operar com pol\u00edticas excludentes\u201d, avalia.<br><br><strong>O que diz a medida<\/strong><br><br>A Lei 10.639 foi criada em 2003 durante o governo do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva para resgatar e valorizar a contribui\u00e7\u00e3o do povo negro nas \u00e1reas social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica. Entre os pontos, a medida especifica que as aulas devem abordar assuntos como hist\u00f3ria da \u00c1frica e dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o papel da popula\u00e7\u00e3o negra na forma\u00e7\u00e3o da sociedade nacional.<br><br>Mas para a supervisora escolar e mestranda da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (FEUSP), Elisabeth de Sousa, sem mecanismos que cobrem das secretarias o cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o, o cen\u00e1rio se manter\u00e1 o mesmo.<br><br>Ela acredita que as pastas, em geral, n\u00e3o se preocupam em como o racismo impacta na aprendizagem de alunos negros e negras e voltam suas aten\u00e7\u00f5es a quest\u00f5es gen\u00e9ricas de aprendizagem.<br><br>\u201cComo n\u00e3o h\u00e1 meta a ser cumprida, como ocorre no caso de disciplinas como portugu\u00eas e matem\u00e1tica, as secretarias municipais e estaduais n\u00e3o cumprem a lei e tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 verba espec\u00edfica para desenvolver a\u00e7\u00f5es nesse campo. Assim, de um lado, temos a resist\u00eancia racista e de outro, a falta de est\u00edmulo para que as coisas aconte\u00e7am\u201d, explica.<br><br>De acordo com Elisabeth, o fato de a popula\u00e7\u00e3o pobre brasileira, e majoritariamente negra, ser vista em um lugar de serventia faz com que a altera\u00e7\u00e3o nos par\u00e2metros educacionais n\u00e3o seja prioridade. Principalmente quando a gest\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 nas m\u00e3os de pessoas brancas.<br><br>Al\u00e9m disso, acrescenta, 500 anos de subjuga\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra e ind\u00edgena demandar\u00e3o\u00a0mais do que 20 anos de legisla\u00e7\u00e3o para que a realidade seja transformada e, para isso, ser\u00e3o necess\u00e1rias\u00a0<a href=\"https:\/\/www.metropoles.com\/brasil\/educacao-br\/enfrentamento-ao-racismo-tambem-e-desafio-na-educacao-diz-secretaria-do-mec\"><strong>regulamenta\u00e7\u00f5es que obriguem o cumprimento da lei<\/strong><\/a>.<br><br><strong>Resposta da CNTE<\/strong><br><br>Diante da aus\u00eancia de a\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) para cobrar o cumprimento da medida, o Coletivo de Combate ao Racismo da CNTE definiu pela realiza\u00e7\u00e3o de semin\u00e1rios com entidades estaduais para mapear como est\u00e1 o cen\u00e1rio em todo o pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>O secret\u00e1rio de Combate ao Racismo da Confedera\u00e7\u00e3o, Carlos Furtado, apontou que a entidade cobrar\u00e1 do minist\u00e9rio um posicionamento a respeito da lei, da&nbsp; Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Continuada, Alfabetiza\u00e7\u00e3o, Diversidade e Inclus\u00e3o (Secadi) a realiza\u00e7\u00e3o de semin\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o e ir\u00e1 ao Judici\u00e1rio para efetivar esse direito.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVamos recome\u00e7ar a luta pela aplica\u00e7\u00e3o da Lei. Temos de provocar o MEC para de novo fomentar que a lei se fa\u00e7a presente nos curr\u00edculos e livros did\u00e1ticos. Da mesma forma, cobraremos a Secadi para que atue de modo a fazer da medida uma realidade e tamb\u00e9m das secretarias estaduais e municipais que t\u00eam se omitido sobre a medida. Se for o caso, em parcerias com nossas entidades de base, vamos judicializar esse debate e ingressar com a\u00e7\u00f5es para que nossa conquista seja preservada\u201d, apontou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O papel da sala de aula<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Anatalina diz que o cumprimento da medida tem ocorrido a partir da milit\u00e2ncia dos trabalhadores\/as da educa\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m s\u00e3o ativistas antirracismo e tomam para si a responsabilidade de pensar uma proposta curricular de fato includente a partir das salas de aula.<br><br>Apesar de insuficiente e sem o apoio do Estado, pondera, a coragem de levantar o debate nas escolas \u00e9 fundamental para formar pessoas comprometidas com o combate \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o.<br><br>\u201cTodos\/as que entendem que n\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a sem igualdade racial e que n\u00e3o h\u00e1 democracia com racismo t\u00eam responsabilidade de se propor a mudar o mundo na sua sala de aula. E trabalhadores da educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o sujeitos fundamentais no processo de transforma\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira e na pactua\u00e7\u00e3o na luta antirracista\u201d, acredita.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada 10 munic\u00edpios, sete n\u00e3o incluem essa tem\u00e1tica no curr\u00edculo.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":18824,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86,26,18],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18823"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18823"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18823\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18825,"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18823\/revisions\/18825"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18824"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18823"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18823"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18823"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}