{"id":19331,"date":"2023-08-04T09:01:52","date_gmt":"2023-08-04T12:01:52","guid":{"rendered":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/?p=19331"},"modified":"2023-08-04T09:01:53","modified_gmt":"2023-08-04T12:01:53","slug":"educar-para-prevenir-crescente-de-casos-de-crimes-sexuais-contra-menores-e-feminicidio-alarmam-a-importancia-do-debate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/educar-para-prevenir-crescente-de-casos-de-crimes-sexuais-contra-menores-e-feminicidio-alarmam-a-importancia-do-debate\/","title":{"rendered":"Educar para prevenir: crescente de casos de crimes sexuais contra menores e feminic\u00eddio alarmam a import\u00e2ncia do debate"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>No ano de 2022, a cada 6 horas, uma mulher foi v\u00edtima de feminic\u00eddio. Das 3.930 mulheres assassinadas no ano, 1.410 foram registradas como feminic\u00eddio, (quando o crime \u00e9 motivado pela v\u00edtima ser mulher). <\/strong><br><br>Esse foi o maior n\u00famero desde que a lei de feminic\u00eddio entrou em vigor em 2015, segundo o levantamento feito pelo G1.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00cdndices preocupantes, revelados pelo Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica, apontam que crimes sexuais contra crian\u00e7as e adolescentes saltaram de 45.076 em 2021 para 51.971 em 2022. Uma alta de 15,3%.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp; aumento na taxa desses crimes tem evidenciado uma situa\u00e7\u00e3o alarmante vivida no Brasil, mas o que tem levado o pa\u00eds a ocupar a quinta posi\u00e7\u00e3o entre as na\u00e7\u00f5es com maior n\u00famero de feminic\u00eddio por ano e uma crescente alarmante nos casos de abuso de menores?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com anos de legisla\u00e7\u00e3o em vigor contra esses crimes &#8211; como a Lei Maria da Penha e o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente, por exemplo -, volta e meia ainda surgem casos na m\u00eddia que chocam a todo o pa\u00eds e evidenciam o quanto esses temas t\u00eam sido pouco abordados na sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a madrugada do dia 30 de julho, uma jovem de 22 anos foi v\u00edtima de estupro em um bairro da regi\u00e3o noroeste de Belo Horizonte, ap\u00f3s voltar de um show na capital mineira desacordada. No evento, a jovem teria ingerido grande quantidade de bebida alco\u00f3lica e teve a ajuda de um amigo, que a embarcou em um carro de aplicativo na volta para a casa, compartilhando a corrida com o irm\u00e3o dela.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim da corrida, ao chegar no endere\u00e7o, por volta das 3h da madrugada, o motorista desembarcou a jovem, ainda desacordada, na cal\u00e7ada do pr\u00e9dio com ajuda de outro homem que passava na rua, e foi embora ap\u00f3s n\u00e3o ser atendido pelo membro da fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Minutos ap\u00f3s o motorista sair do local, outro homem se aproximou de onde a v\u00edtima foi deixada e a carregou at\u00e9 um campo de futebol do bairro, onde ela foi abusada e encontrada 4h depois por moradores da regi\u00e3o, que acionaram o Servi\u00e7o de Atendimento M\u00f3vel (Samu) para o atendimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do agressor, atitudes dos envolvidos no caso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 v\u00edtima t\u00eam gerado como\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, em rela\u00e7\u00e3o ao que poderia ter sido feito para impedir o crime.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Educar para prevenir<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Not\u00edcias como a da jovem de BH e os dados do Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica t\u00eam revelado a import\u00e2ncia de ampliar as discuss\u00f5es sobre os temas, para conscientizar e denunciar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para a Secret\u00e1ria de Sa\u00fade da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores em Educa\u00e7\u00e3o (CNTE), Francisca Seixas, ao envolver toda a sociedade nesse necess\u00e1rio debate, \u00e9 poss\u00edvel contribuir de maneira contundente para o enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia, aos abusos, em defesa das crian\u00e7as, adolescentes e mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>Francisca ainda cita que \u201ca escola tem um papel fundamental para o Brasil avan\u00e7ar em seu processo civilizacional. A educa\u00e7\u00e3o sexual tem o poder de ensinar as crian\u00e7as e os adolescentes a identificar onde termina o carinho e come\u00e7a o abuso, e quest\u00f5es de g\u00eanero na escola s\u00e3o essenciais para levar informa\u00e7\u00e3o transparente e sem tabus \u00e0s crian\u00e7as e adolescentes, sobre como os seus corpos devem ser respeitados\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Guelda Andrade, Secret\u00e1ria de Assuntos Educacionais da CNTE, destaca tamb\u00e9m sobre as diversas formas de abordar o assunto dentro das escolas sendo, um deles, usando a pr\u00f3pria realidade, como em casos que caracterizam desrespeito a alunos em sala de aula, ou quando assuntos pol\u00eamicos surgem no ambiente escolar. Momentos como esses podem ser aproveitados para promover a discuss\u00e3o, com um debate saud\u00e1vel e respeitoso.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVai se criando uma cultura de respeito. No in\u00edcio \u00e9 preciso ter um cuidado especial e saber como abordar o tema no espa\u00e7o escolar, para que ningu\u00e9m se sinta desrespeitado ou ofendido\u201d, mencionou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela ainda ressalta a import\u00e2ncia de tratar assuntos como viol\u00eancia de g\u00eanero logo cedo, desde a pr\u00e9-inf\u00e2ncia, auxiliando a forma\u00e7\u00e3o de um futuro adulto com senso cr\u00edtico de respeito e aten\u00e7\u00e3o, \u201ca crian\u00e7a vai crescer com uma cultura de paz e respeito com os outros, n\u00e3o s\u00f3 com a mulher, mas com o ser humano. Independente do g\u00eanero, \u00e9 preciso enxergar os outros como seres humanos\u201d, afirma Guelda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Desafios<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a legisla\u00e7\u00e3o brasileira prev\u00ea, por meio do art. 26 da Lei n\u00ba 14.164 (Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o Nacional), a aplica\u00e7\u00e3o de conte\u00fados relativos aos direitos humanos e \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de todas as formas de viol\u00eancia contra crian\u00e7as, adolescentes e mulheres, de modo adequado em cada n\u00edvel de ensino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m voltado para tem\u00e1ticas como preven\u00e7\u00e3o de viol\u00eancias e acidentes, promo\u00e7\u00e3o da cultura de paz e direitos humanos, sa\u00fade sexual e reprodutiva, al\u00e9m de preven\u00e7\u00e3o de HIV\/IST nas escolas, em julho deste ano, o Governo Federal destinou mais de Mais de R$ 90 milh\u00f5es aos munic\u00edpios que aderiram ao Programa Sa\u00fade na Escola (PSE).<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, lembra Francisca, ainda h\u00e1 de se enfrentar muitas barreiras at\u00e9 que conte\u00fados como educa\u00e7\u00e3o sexual se tornem pauta comum no ambiente escolar, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura social e religiosa bastante forte no pa\u00eds e posicionada contra o assunto.\u201cA inclus\u00e3o desses temas no curr\u00edculo escolar esbarra no preconceito, na ignor\u00e2ncia, ou seja, na falta de informa\u00e7\u00e3o confi\u00e1vel sobre sexualidade\u201d, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO fundamentalismo religioso e o patriarcado tentam de todas as maneiras podar que as crian\u00e7as e adolescentes recebam a informa\u00e7\u00e3o adequada \u00e0 sua faixa et\u00e1ria, sobretudo, no que envolve a sexualidade e os seus corpos, que devem ser inviol\u00e1veis\u201d, completou Francisca.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Guelda, as pautas sobre g\u00eanero v\u00eam sendo negligenciadas h\u00e1 um tempo, tendo se acentuado ainda mais gra\u00e7as ao conservadorismo crescente no pa\u00eds, e \u00e0s limita\u00e7\u00f5es impostas pelo governo anterior na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, fazendo com que o tema se torne um assunto evitado.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O tema faz parte da forma\u00e7\u00e3o do aluno. Esses debates s\u00e3o momentos de levar orienta\u00e7\u00e3o, de como as pessoas podem se defender e buscar ajuda\u201d, finalizou.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"whatsapp:\/\/send?text=https%3A%2F%2Fwww.cnte.org.br%2Findex.php%2Fmenu%2Fcomunicacao%2Fposts%2Fnoticias%2F76544-educar-para-prevenir-crescente-de-casos-de-crimes-sexuais-contra-menores-e-feminicidio-alarmam-a-importancia-do-debate\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"mailto:?Subject=Educar%20para%20prevenir:%20crescente%20de%20casos%20de%20crimes%20sexuais%20contra%20menores%20e%20feminic%C3%ADdio%20alarmam%20a%20import%C3%A2ncia%20do%20debate&amp;body=https%3A%2F%2Fwww.cnte.org.br%2Findex.php%2Fmenu%2Fcomunicacao%2Fposts%2Fnoticias%2F76544-educar-para-prevenir-crescente-de-casos-de-crimes-sexuais-contra-menores-e-feminicidio-alarmam-a-importancia-do-debate\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano de 2022, a cada 6 horas, uma mulher foi v\u00edtima de feminic\u00eddio. 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