{"id":23856,"date":"2026-09-28T10:17:22","date_gmt":"2026-09-28T13:17:22","guid":{"rendered":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/?p=23856"},"modified":"2026-09-28T10:17:23","modified_gmt":"2026-09-28T13:17:23","slug":"pesquisa-cnte-fgv-revela-que-pressao-politica-afeta-autonomia-de-61-dos-professores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/pesquisa-cnte-fgv-revela-que-pressao-politica-afeta-autonomia-de-61-dos-professores\/","title":{"rendered":"Pesquisa CNTE\/FGV revela que press\u00e3o pol\u00edtica afeta autonomia de 61% dos professores"},"content":{"rendered":"\n<p>Trabalhadores\/as da educa\u00e7\u00e3o t\u00eam vivenciado um crescimento na vigil\u00e2ncia e inseguran\u00e7a profissional devido \u00e0 press\u00e3o pol\u00edtica no cotidiano escolar, apontam os resultados da pesquisa \u201cPolitiza\u00e7\u00e3o no Cotidiano das Escolas: Um Olhar para a Pr\u00e1tica Docente\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os resultados, 61,7% dos\/as entrevistados\/as sentem que a press\u00e3o pol\u00edtica interfere em sua autonomia profissional. O estudo contou com a participa\u00e7\u00e3o de 2.235 docentes da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica na rede p\u00fablica por meio de um question\u00e1rio an\u00f4nimo online.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento foi produzido pela Escola de Administra\u00e7\u00e3o de Empresas de S\u00e3o Paulo da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV\/EAESP) em parceria com a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores em Educa\u00e7\u00e3o (CNTE).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/assets.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/cnte-cut\/Politiza%C3%A7%C3%A3o-no-cotiano-das-escolas-CNTE-FGV.pdf\">Confira os dados completos clicando aqui.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA CNTE tem denunciado a press\u00e3o que os professores t\u00eam sentido na sala de aula, que tem levado a um adoecimento recorde, e a forma como est\u00e3o utilizando avalia\u00e7\u00f5es para punir aqueles que n\u00e3o seguem exatamente a cartilha que \u00e9 encomendada pelos governos. Participamos articulando os sindicatos em \u00e2mbito nacional, para que a pesquisa tivesse essa amplitude de atingir todo o pa\u00eds\u201d, disse o secret\u00e1rio-geral da CNTE, F\u00e1bio de Moraes.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsta \u00e9 mais uma ferramenta que vai demonstrar para a sociedade que \u00e9 preciso ter uma mudan\u00e7a imediata com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o no nosso pa\u00eds, que governos e prefeitos devem respeitar aquilo que foi constru\u00eddo pela popula\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s do processo acad\u00eamico, dos planos de educa\u00e7\u00e3o e da legisla\u00e7\u00e3o vigente. A escola n\u00e3o \u00e9 um lugar nem para press\u00e3o pol\u00edtica e nem para interfer\u00eancia pol\u00edtica\u201d, completou F\u00e1bio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Inseguran\u00e7a profissional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os resultados, essa percep\u00e7\u00e3o de perda de autonomia \u00e9 um fen\u00f4meno recente: 71,7% dos\/as participantes afirmam que seu trabalho est\u00e1 mais exposto a cr\u00edticas pol\u00edticas do que no passado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsses dados nos mostram que a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o est\u00e1 apenas no debate p\u00fablico ou nas redes sociais, ela j\u00e1 alcan\u00e7a o cotidiano das escolas e interfere nas condi\u00e7\u00f5es em que os profissionais exercem seu trabalho\u201d, comentou a secret\u00e1ria de Assuntos Educacionais suplente da CNTE e coordenadora da pesquisa, Odiss\u00e9ia de Carvalho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 importante destacar que a cr\u00edtica e a participa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias e da sociedade fazem parte do ambiente democr\u00e1tico. O problema surge quando essa cr\u00edtica se transforma em press\u00e3o ou constrangimento capaz de interferir no exerc\u00edcio docente. A escola precisa ser um espa\u00e7o em que diferentes conhecimentos e perspectivas possam ser trabalhados com responsabilidade e fundamenta\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Adaptar a pedagogia aos alunos x Seguir regras institucionais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tr\u00eas em cada quatro participantes (75,6%) afirmaram ter medo de consequ\u00eancias profissionais caso decis\u00f5es pedag\u00f3gicas contrariem interesses pol\u00edticos. Esse dado se relaciona com a preocupa\u00e7\u00e3o de ter a\u00e7\u00f5es docentes rotineiras confundidas com agendas pol\u00edticas, sentida por 66,8% dos que responderam.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEducadores precisam cumprir as determina\u00e7\u00f5es institucionais, mas, ao mesmo tempo, trabalham com alunos que possuem diferentes ritmos de aprendizagem, condi\u00e7\u00f5es sociais, necessidades educacionais e realidades familiares. Isso requer adaptabilidade\u201d, explica Odiss\u00e9ia.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados mostram uma tens\u00e3o entre flexibilidade profissional e a exist\u00eancia de regras institucionais. De um lado, 64,5% dos participantes dizem ter pouco espa\u00e7o para interpretar as regras e que devem apenas segui-las. De outro, 51,1% afirmam que conseguem, em alguma medida, adaptar pol\u00edticas e regras \u00e0s necessidades espec\u00edficas dos alunos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo cotidiano do trabalhador, essa tens\u00e3o pode gerar inseguran\u00e7a e sobrecarga. Para os alunos, uma rigidez excessiva tamb\u00e9m pode representar um problema: tratar situa\u00e7\u00f5es diferentes exatamente da mesma maneira pode limitar o processo de aprendizagem.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Odiss\u00e9ia aponta que o trabalho da educa\u00e7\u00e3o implica um dia a dia com situa\u00e7\u00f5es diversas e complexas: \u201cA escola n\u00e3o funciona como uma linha de produ\u00e7\u00e3o. Cada unidade escolar possui uma realidade, cada turma apresenta caracter\u00edsticas pr\u00f3prias e cada aluno possui necessidades espec\u00edficas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO profissional da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser reduzido a um mero executor de regras. Ele \u00e9 um profissional que possui forma\u00e7\u00e3o, experi\u00eancia e conhecimento da realidade dos seus alunos. Valorizar esse profissional tamb\u00e9m significa reconhecer sua capacidade de tomar decis\u00f5es pedag\u00f3gicas dentro dos par\u00e2metros estabelecidos pelo sistema educacional.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Gest\u00e3o democr\u00e1tica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para essa inseguran\u00e7a, segundo Odiss\u00e9ia, \u00e9 fortalecer a gest\u00e3o democr\u00e1tica e os espa\u00e7os coletivos de decis\u00e3o dentro das escolas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuanto mais as decis\u00f5es pedag\u00f3gicas e institucionais forem constru\u00eddas com participa\u00e7\u00e3o dos profissionais, das fam\u00edlias, dos estudantes e da comunidade escolar, menor ser\u00e1 o espa\u00e7o para decis\u00f5es arbitr\u00e1rias e para conflitos baseados apenas em percep\u00e7\u00f5es individuais\u201d, pontuou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Regras de gest\u00e3o claras, respeito \u00e0 autonomia pedag\u00f3gica e garantia de forma\u00e7\u00e3o continuada para os\/as profissionais tamb\u00e9m s\u00e3o aspectos fundamentais. Odiss\u00e9ia ressalta que o resultado da pesquisa vai al\u00e9m de um diagn\u00f3stico de problemas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEla nos aponta caminhos. Se os profissionais est\u00e3o dizendo que se sentem pressionados, expostos e com pouca autonomia, a resposta das pol\u00edticas p\u00fablicas precisa ser fortalecer esses trabalhadores. N\u00e3o existe educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade sem profissionais valorizados, respeitados e seguros para exercer sua profiss\u00e3o. Valorizar a educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m significa confiar em quem est\u00e1 todos os dias dentro da escola fazendo a educa\u00e7\u00e3o acontecer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Comunica\u00e7\u00e3o CNTE<\/strong><a href=\"https:\/\/assets.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/cnte-cut\/Sum%C3%A1rio%20pesquisa%20FGV.JPG\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalhadores\/as da educa\u00e7\u00e3o t\u00eam vivenciado um crescimento na vigil\u00e2ncia e inseguran\u00e7a profissional devido \u00e0 press\u00e3o pol\u00edtica no cotidiano escolar, apontam os resultados da pesquisa \u201cPolitiza\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":23857,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[86,23,124,1,26,18],"tags":[108,143,109,139,137],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23856"}],"collection":[{"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=23856"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23856\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23858,"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/23856\/revisions\/23858"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23857"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=23856"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=23856"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fetems.org.br\/fetems\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=23856"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}